Ruth Rocha: como nasce uma escritora?

Ruth Rocha nasceu em 2 de março de 1931, em São Paulo. Desde quando Ruth era pequena, sua mãe, dona Esther, contava-lhe histórias: dos contos clássicos a Monteiro Lobato. Um de seus livros prediletos era Reinações de Narizinho; a irreverência da Emília também a encantava, e influenciou muito seu jeito de ser e seu trabalho de escritora.

“Ele (Lobato) me ensinou o poder da irreverência e do humor como instrumento de crítica e, portanto, de arte; a incorporação do imaginário à realidade, pois com ele aprendi que é sempre possível fazer bolinhos para o Minotauro; a ideia profunda ligada à linguagem concreta; o culto à liberdade e à justiça protagonizada pela Emília – Eu sou a Independência ou Morte!”

Formada em em Ciências Políticas e Sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, entre 1957 e 1972 foi orientadora educacional do Colégio Rio Branco. Nessa época começou a escrever sobre educação para a revista Claudia. Sua visão moderna sobre o tema, bem como o estilo claro e próprio, chamaram a atenção e, assim, surgiu o convite para trabalhar em uma revista chamada Recreio.

A Recreio transformou-se em um marco em sua vida, porque a lançou como escritora. A partir de 1973 trabalhou como editora e, em seguida, como coordenadora do departamento de publicações infantojuvenis da editora Abril.

Palavras, muitas palavras, seu primeiro livro, saiu em 1976. Seu estilo direto, gracioso e coloquial, altamente expressivo e muito libertador, ajudou — juntamente com o trabalho de outros autores — a mudar para sempre a cara da literatura para crianças no Brasil.

Depois vieram Marcelo, Marmelo, Martelo — seu best-seller e um dos maiores sucessos editoriais do país, com mais de setenta edições e vinte milhões de exemplares vendidos —, O reizinho mandão — incluído na “Lista de Honra” do prêmio internacional Hans Christian Anderson —, Nicolau tinha uma ideia, Dois idiotas sentados cada qual no seu barril e Uma história de rabos presos, entre muitos outros.

Em mais de cinquenta anos dedicados à literatura, a escritora já foi traduzida para vinte e cinco idiomas. Recebeu prêmios da Academia Brasileira de Letras, da Associação Paulista dos Críticos de Arte, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, além do prêmio Santista, da Fundação Bunge, o prêmio de Cultura da Fundação Conrad Wessel, a Comenda da Ordem do Mérito Cultural e oito prêmios Jabuti, da Câmera Brasileira de Letras. Em 2008, Ruth foi eleita membro da Academia Paulista de Letras.

“Eu olho para trás e, apesar da minha idade, ainda olho para frente e chego à conclusão de que a profissão que escolhi, ou me escolheu, me fez muito feliz.”
Ruth Rocha

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