Ponte para Terabítia


KATHERINE PATERSON E SUA OBRA

Katherine Paterson, quando indagada por um repórter sobre o que "tenta fazer quando escreve para crianças", respondeu simplesmente: "tento escrever o melhor que posso". Diante dessa resposta, o repórter, acreditando que a escritora não tivesse compreendido a pergunta, tentou novamente: "o que eu quero dizer é: qual a sua filosofia ao escrever para crianças? Há algum valor moral que você queira transmitir a elas? Não há alguns valores que você queira incutir nelas?". Como resposta, Katherine disse apenas que tentava escrever para seus leitores a melhor e a mais verdadeira história que pudesse. O repórter, incomodado e desapontado, desviou do assunto.

Esse pequeno mal-entendido nos revela muito sobre aquela que talvez seja a principal característica da obra de Katherine Paterson - o modo como a autora se dirige a seus jovens leitores sem recorrer a nenhum tipo de simplificação. Não lhe interessa escrever de modo didático, não lhe interessam as lições de moral - a arte (porque em nenhum momento ela consente em oferecer a seus leitores algo diferente de arte), para Katherine, é um meio de dividir com os outros as nossas revelações secretas sobre a vida. "Não escrevo para crianças, escrevo para mim mesma", diz ela.
Talvez por isso a obra de Katherine seja tão singular - por ela dirigir-se a seus leitores sem em momento algum subestimá-los. O fato de escrever para crianças não faz com que ela retrate o mundo como um local adocicado e perfeito - pelo contrário, ela retrata a vida em toda a sua complexidade: o processo de crescimento e amadurecimento enfrentado por seus personagens é árduo, dolorido. Durante esse período, eles são confrontados com escolhas difíceis, das quais não podem se esquivar. As relações humanas, em especial familiares, oferecem inúmeros desafios: seus personagens têm de aprender a lidar com as frustrações e expectativas dos outros, bem como com as suas próprias.

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