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Heitor Villa-Lobos,
Rio de Janeiro, Brasil, 05/03/1887 - 17/11/1959.
As
mais representativas figuras do mundo musical são unânimes ao reconhecer
a importância do maestro e compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos. Basta
observar a grande quantidade de material publicado, inclusive em línguas
estrangeiras, sobre sua vida e obra.
A Internet está repleta de sites que também se ocupam dele.
Poucos músicos contemporâneos, como ele, tiveram parte tão
extensa de sua obra gravada. Parece entretanto que nós, brasileiros,
ainda não alcançamos a noção completa da grandeza
de seu trabalho.
Carioca, Heitor Villa-Lobos nasceu em 5 de março de l887 no bairro de
Laranjeiras. Seus pais, Noêmia e Raul Villa-Lobos, tinham um lar solidamente
estabelecido e desde cedo proporcionaram ao menino, especialmente através
do pai, estímulos para desenvolver o que parecia ser uma forte inclinação
para a música. Muito cedo aprendeu a tocar violoncelo e clarineta tendo
como professor o próprio pai. Todo esse processo entretanto foi interrompido
precocemente já que Raul Villa-Lobos morreu com apenas 37 anos, ao contrair
varíola.
Desde pequeno, Villa-Lobos era dono de uma vontade forte e indomável.
Saiu de casa com 16 anos por estar em desacordo com a mãe, que queria
que o filho seguisse a carreira médica. Na verdade ele já havia
sido atraído para o mundo da música.
Começou a freqüentar os "chorões"
participando assim deste singular movimento da
linguagem musical brasileira. A necessidade de sobreviver obrigou-o a tocar
em pequenas orquestras de teatros, cinemas e confeitarias.
As viagens que fez por todo o Brasil, onde entrou em contato com a riqueza das
manifestações musicais folclóricas brasileiras, tiveram
uma influência decisiva na sua obra. A apresentação oficial
como compositor aconteceu em 1915, no Rio de Janeiro.
Desde aquele tempo a música de Villa-Lobos já incomodava. Suas
melodias tão diferentes da música européia, especialmente
da francesa, que os brasileiros gostavam e estavam acostumados a ouvir, causavam
muitas vezes verdadeiro escândalo. A aceitação pelo público
demorou muito a chegar.
Villa-Lobos foi um compositor essencialmente intuitivo e quase autodidata.
Diferentemente de outros músicos, tinha facilidade e prazer em compor
rodeado de amigos - sem se incomodar com o entra e sai de pessoas, com barulho
e com conversas -, como realmente fazia quando teve sua própria casa.
Villa-Lobos apresentou algumas composições na Semana de Arte Moderna,
associando-se a este importante movimento cultural brasileiro, que vinha ao
encontro de idéias que ele mesmo acreditava.
Por duas vezes o maestro teve oportunidade de morar em Paris, por alguns anos
onde, como ele mesmo dizia, fora mostrar o que havia criado e jamais melhorar
sua música.
O reconhecimento de seu talento na Europa, tanto pelo público como pelos
grandes regentes de orquestra, só se deu no ano de 1927.
Quando regressou definitivamente para o Brasil, em 1930, Villa-Lobos passa a
escrever um capítulo inusitado em sua vida. Elabora um ambicioso programa
de educação musical e o apresenta à Secretária de
Educação do Estado de São Paulo. Trabalha por dois anos
nas escolas paulistas e depois volta ao Rio de Janeiro para dirigir a Superintendência
de Educação Musical e Artística. Organiza corais de até
quarenta mil vozes que se apresentam em grandes concentrações.
Sua atividade é intensa. Faz conferências, escreve artigos para
jornais. É fundada a Orquestra Villa-Lobos. Tudo isso acontece paralelamente
ao seu trabalho de compositor e regente. Em 1942 é criado o Conservatório
Nacional do Canto Orfeônico, que durante
anos formou professores em pedagogia musical e canto orfeônico.
Mundialmente reconhecido, voltou várias vezes para a Europa, onde recebeu
diversos prêmios, títulos, homenagens e medalhas. Nos Estados Unidos,
onde o maestro também foi intensamente homenageado, sua obra é
muito apreciada.
Foi casado com a pianista Lucília Guimarães, de quem se separou
em 1935. Arminda Neves de Almeida, a Mindinha, foi sua querida companheira até
o fim da vida. Foi ela também a realizadora do Museu Villa-Lobos, que
funciona no Rio de Janeiro e guarda todo o acervo deste grande músico
brasileiro.
A música de Villa-Lobos é fundamental para a música
brasileira... e ele é o nosso compositor mais importante... Sua música
é... um guia para todo compositor brasileiro e sua influência persiste,
bem sensível, mesmo entre os jovens músicos contemporâneos.
(Vasco Mariz, História da Música no Brasil).
Heitor Villa-Lobos morreu em 17 de novembro de 1959, com 72 anos de idade, na
cidade do Rio de Janeiro.
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