Dica
1) Após a leitura do livro Pieter
Bruegel, o arte-educador poderá começar a apreciação
da obra Os ceifeiros. Trata-se de uma paisagem,
gênero que teve início no século de Bruegel. Antes disso,
na Idade Média, desprezava-se a retratação do ambiente e
a temática das obras era a representação do céu e
do inferno.
Leve o aluno a perceber o efeito de profundidade nessa obra, ao contemplá-la
a partir de um ponto de vista que permita deslizar o olhar para além das
colinas, das árvores, em direção ao céu.
Esse efeito de profundidade foi obtido pela aplicação das cores.
Em primeiro plano,
surgem os tons de terra; em segundo, faixas em tons de verde e, ao fundo, mesclas
de azul que fundem o céu e o mar.
A) Vivenciando
a proposta
O arte-educador poderá pedir que os alunos contemplem a paisagem das
páginas 14 e 15. Em seguida deve tentar envolvê-los na atmosfera
que ela transmite, por meio de uma conversa com a classe, fazendo-lhe algumas perguntas.
Para uma melhor compreensão das paisagens de Bruegel, peça aos
alunos que encontrem, no livro, outras reproduções desse mesmo
gênero e repita o exercício acima com eles.
B) Desenvolvendo
a proposta
Sugestão de materiais:
papel canson (A4 ou A3)
aquarela
pincéis
papel espelho ou revistas
cola
tesoura
Peça aos alunos que pintem, na folha de papel canson, os três
planos característicos das paisagens de Bruegel: cores de terra, no primeiro
plano; tons de verde no plano intermediário; e tons de azul no infinito
(céu/mar) reforçando a profundidade da perspectiva.
Vale a pena ressaltar que Bruegel utilizava muito as linhas diagonais em suas
composições.
Em seguida, o professor deverá sugerir que os alunos completem a paisagem
fazendo uma colagem. A dimensão das figuras deverá estar de acordo
com a proporção de cada plano. Lembre aos alunos que, quanto mais
distantes, menores serão as figuras.
C) Finalizando
a proposta
Ao finalizar essa atividade em sala de aula, é aconselhável organizar
a exposição dos trabalhos dos alunos, discutindo com eles os resultados
obtidos e reforçando que "o homem deve viver em harmonia com a natureza;
à semelhança dos animais e das plantas ele faz parte dela" (Hagen,
1995, p. 57).
2) Esta atividade terá como objetivo proporcionar ao aluno a
experiência de conceituar, descrever, analisar, interpretar, interferir,
imaginar e produzir a partir da análise de uma obra de arte.
A)Vivenciando
a proposta
O arte-educador poderá desenvolver esta atividade de maneira imaginativa,
lúdica e prazerosa, pois a arte de Bruegel é comandada por um
dinamismo realista, evidenciado pela composição das linhas com
movimento e pela utilização de formas coloridas.
A obra escolhida é Banquete nupcial.
Pode-se começar com algumas perguntas.
B) Desenvolvendo
a proposta
a) Etapa de
sensibilização
O professor poderá pedir aos alunos que expressem suas idéias,
emoções e sensações após apreciarem a obra,
escrevendo palavras-chave que as representem.
b) Etapa de
descrição da obra
Por meio da observação, o aluno deve assinalar se a obra contém:
| ( )
Linhas |
( ) Luz |
( )
Ritmo |
| ( )
Planos |
( )
Texturas |
( )
Movimento |
| ( )
Figuras |
( )
Som |
( )
Cores |
| ( )
Sombras |
( )
Líquido |
( )
Manchas |
c) Etapa de
análise
Após a observação e descrição da obra, faremos
a análise de sua composição.
Os alunos deverão assinalar, a respeito da obra em discussão,
no caderno ou em uma folha previamente preparada pelo professor, os itens a
seguir.
Linhas:
| ( )
Curvas |
( )
Sinuosas |
( )
Sinuosas |
| ( )
Retas |
( )
Quebradas |
( )Horizontais |
| ( )
Inclinadas |
( )
Verticais |
( )Contínuas |
| ( )
Sobrepostas |
( )
Finas |
|
Cores:
| ( )
Quentes |
( )
Cítricas |
( )
Opacas |
| ( )
Frias |
( )
Misturadas |
( )
Neutras |
| ( )
Puras |
( )
Luminosas |
( )
Transparentes |
Formas:
( ) Orgânicas ( ) Geométricas
O professor deve organizar com a classe uma discussão sobre os resultados
da análise.
C) Finalizando
a proposta
O arte-educador poderá pedir aos alunos que tragam fotografias, poesias,
letras de músicas etc., que lembrem algum aspecto da pintura analisada,
como festas, casamentos, noivas, reuniões, comidas etc.
Caso deseje ampliar a atividade, poderá pedir-lhes que, divididos em
grupos, representem com dança e música a pintura, Dança
camponesa.
3) Bruegel expressava-se também por meio de figuras de um mundo
onírico, de seres estranhos e demoníacos, que representavam suas
mensagens secretas. A obra Dulle Griet ou Margarida, a louca,
mostra a influência de seu antecessor, Bosch.
O arte-educador poderá comparar os dois artistas e evidenciar a semelhança
entre ambos. Também poderá mostrar os prenúncios da arte
surrealista nesta pintura ao compará-la com algumas obras de Salvador
Dalí, pintor surrealista do século XX.
A) Vivenciando
a proposta
O arte-educador poderá pedir aos alunos que comparem a figura central
dessa obra com a mulher dos dias de hoje, fazendo uma releitura. Apropriando-se
do imaginário de Bruegel, passarão, em seguida, a utilizar elementos
de sua própria imaginação, criando mensagens secretas ou
lembrando de algum de seus sonhos.
Sugestão de materiais:
papel canson
nanquim escolar de várias cores
pincel
bico-de-pena
O aluno elaborará seu trabalho com nanquim colorido e poderá
detalhá-lo com nanquim preto, utilizando a técnica do bico-de-pena.
B) Finalizando
a proposta
Ao término da atividade, sugira aos alunos que troquem seus trabalhos
e tentem identificar a mensagem secreta da imaginação ou do sonho
dos colegas.
4) O arte-educador poderá sugerir aos alunos que façam
uma pesquisa sobre pinturas de paisagem, mencionando as obras do artista Joachim
Patenier (c.1480-1524) que faziam a ponte entre as obras de Bosch e de Bruegel.
Assim, o professor conduzirá seus alunos, de forma plena e lúdica,
ao maravilhoso mundo da imaginação, pedindo que relatem a pesquisa
por escrito, ou por meio de reproduções visuais, ou de uma pequena
representação cênica. O objetivo maior é registrar
as sensações obtidas por eles nesse estudo paisagístico.
5) Analisando a obra Jogos infantis, na qual há 84 brincadeiras,
os alunos poderão, juntamente com o professor de Educação
Física, resgatar brincadeiras e jogos infantis do passado.
6) Observando a obra Torre de Babel,
o professor de História poderá apresentar não só
relatos a respeito da cena retratada, mas também organizar uma discussão
sobre as possíveis críticas embutidas por Bruegel nessa pintura.
O arte-educador, juntamente com o professor de História, após
uma reflexão sobre os fatos históricos da época em questão
e da apreciação da obra Torre de Babel poderá propor
a divisão da classe em grupos para a construção de maquetes
da torre.
7) O arte-educador poderá examinar junto com seus alunos a obra
de Bruegel, desvendando com eles as figuras que têm ligação
com os provérbios citados a seguir; o professor de Português poderá
trabalhar os conceitos propondo aos alunos uma atividade escrita ou cênica.
"Chorando sobre o leite derramado." Figura na parte inferior direita da pintura,
que tenta colocar dentro do balde, com uma colher, o leite derramado.
"Quem guarda tem." Figura de capa vermelha, à direita superior, em pé
nos degraus, jogando moedas no rio (desperdício).
"É preciso dois para fazer uma fofoca." Duas mulheres sentadas junto
ao muro, fofocando.
"Ser como São Tomé: ver para crer." Figuras próximas a
um barraco, logo acima da mulher com o leite derramado. O homem que toca o rosto
de Cristo lembra São Tomé.
"Amarrar o sino no pescoço do gato." Figura à esquerda, no meio
do muro.
"A sorte está lançada." Figura à esquerda, apoiada na janela,
ao alto, jogando cartas fora.
Recomenda-se ao professor o filme O
nome da rosa, que apresenta um panorama do controle da Igreja sobre
a informação, bem como da tirania que ela exerceu e a Inquisição
na Idade Média, fatores que influenciaram o surgimento da Reforma Protestante
na época do Renascimento. |