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Na Europa do início do século XX, houve um conjunto de tendências artísticas inovadoras, tendo Paris como grande centro cultural da época. Essas tendências, que surgiram na Europa antes, durante e depois da Primeira Guerra Mundial, receberam o nome de vanguarda, (do francês avant-garde, "o que marcha na frente"). Artística ou politicamente, são chamados de vanguarda os grupos ou correntes que apresentam propostas inovadoras que "captam" as tendências do futuro e que têm como missão fazer o futuro acontecer agora, sendo, por isso, polêmicos e incompreendidos. A arte moderna era contra o passado cultural e a favor da liberdade de ação, valorizando o ilogismo e a subjetividade.
Artistas como Toulouse-Lautrec, Van Gogh, Gauguin e Monet, citados em Picasso, contribuíram para uma revolução nos valores culturais.
Picasso foi um vanguardista. Em 1907, na França, seu quadro Les demoiselles d'Avignon deu início a um dos muitos movimentos artísticos europeus, o Cubismo, que se expressou na pintura também por meio de Braque, Picabia, Léger, Mondrian e outros. Em 1912, o italiano Luigi Pirandello escreveu Seis personagens à procura de um autor, peça que procura mostrar como a realidade e a identidade são coisas múltiplas. Surgem os estudos psicológicos de Freud e a teoria intuicionista de Bergson, ambos pensadores que rejeitam a análise positivista e buscam uma compreensão mais subjetiva do homem e de seus problemas.
O início de nosso século foi um momento de transição, pois as invenções e conquistas do final do século XIX, como o transporte ferroviário, o barco a vapor, o telégrafo, a lâmpada, o telefone e a eletricidade, deram um maior dinamismo à vida moderna por meio das transmissões radiofônicas, do aeroplano, do automóvel e do cinematógrafo. A máquina tornou-se participante de todos os setores da vida. Ao contrário das burguesias industrial e financeira, a classe operária continua à margem do progresso material e empenha-se na defesa de idéias socialistas e anarquistas.
Em 1914, estoura a Primeira Guerra Mundial, pondo fim aos valores da chamada belle époque, período dos últimos anos do século XIX em que havia um sentimento de felicidade aparente. A Revolução Russa, em 1917, conduz pela primeira vez a classe trabalhadora ao poder, alastrando a "ameaça" comunista pelo mundo, fazendo com que a sensação de paz deixe de existir mesmo depois da guerra.
Terminada a guerra em 1918, um clima de incerteza domina toda a década de 20. Os países envolvidos, que antes euforicamente disputavam mercados consumidores, vivem crises econômicas e sociais. Em 1929, ocorre o crack na Bolsa de Valores de Nova York, desequilibrando a estrutura econômica mundial. A Europa está dividida; a Alemanha, derrotada; a Itália, humilhada. Inicia-se um período de avanço das ideologias de extrema direita (nazismo na Alemanha, com Hitler, fascismo na Itália, com Mussolini, e na Espanha, com Franco) e de luta contra a expansão comunista, mais acentuadamente na década de 30. Na Espanha, uma guerra civil iniciada em 1936 levou ao poder o general Franco, que governou o país até 1976. Picasso manifestou-se contra a ditadura de Franco com sua obra Guernica.
Os problemas que levaram à Primeira Guerra não haviam sido resolvidos, mas apenas adiados até a Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1939. Esse período entre as duas guerras ficou conhecido como "anos loucos".
A ressonância desses fatores é a comunicação imediata com as mais distantes partes da Terra. Homens alucinados elaboraram novas teorias (Albert Einstein e a teoria da Relatividade) e pesquisaram o uso da energia nuclear. Marcando o século da comunicação, a música é fator de integração entre os homens, onde, com o avanço tecnológico, surgiram o fonógrafo, o rádio, o cinema e as indústrias aperfeiçoaram aparelhos e instrumentos sonoros. Há novas tendências na música clássica. Surge a música concreta à base de pesquisas de sons naturais ou artificiais, criada por Pierre Schaeffer, em 1948, fundindo criação e interpretação. Em 1950 Stockhausen, na Alemanha, cria o primeiro laboratório de música eletrônica. A nostalgia e a musicalidade dos negros norte-americanos fez surgir em Nova Orleans, em 1912, a primeira banda de jazz.
O homem obteve a percepção de quanto as coisas estavam acontecendo de maneira acelerada, dando-se conta, por si, da rapidez do universo e nunca mais se separou da velocidade.
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