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Sérgio Lontra Vieira
Imagem decorativaContribuições e limitações da informática para a educação química
Esse trabalho representa uma contribuição à ampla questão da informática e a educação e, mais especificamente, o seu impacto na educação química através de programas de computador dirigidos aos ensinos médio e superior de química.

O computador trouxe, sem dúvida alguma, um importante avanço tecnológico e a sua disseminação nas três últimas décadas marcou, de maneira irreversível, a história da humanidade. Logo, a despeito de toda a resistência e dificuldade, não há como a educação e a escola se manterem alheias.

Mais recentemente, a Internet e outras redes de comunicação têm se constituído importantes meios de divulgação acadêmica e científica, através dos quais alunos e professores podem se informar e se atualizar em relação à qualquer área da química. Pela rede é possível, também, a troca de informações sobre projetos interdisciplinares, desenvolvido em conjunto com vários pesquisadores, alunos e professores de diferentes países, como é o caso da Escola do Futuro em São Paulo. Os programas de simulação e de bases de dados permitem uma grande interatividade entre usuário-conhecimento, o que pode possibilitar ou facilitar uma aprendizagem significativa dos conteúdos químicos. Da mesma forma, com os programas chamados sistemas especialistas e realidade virtual, pode ser possível estabelecer uma nova forma de relacionamento aluno-conhecimento químico, superior à atingível através do meio impresso normal ou através da aula expositiva tradicional.

Neste novo ambiente, escola e professores parecem estar perplexos e ameaçados pelo desconhecido, enquanto que alunos se sentem bem mais à vontade. Esse "por vir" tem gerado ambientes de aprendizagem, nos quais professores e alunos, necessariamente, assumem papéis diferentes. As metodologias tradicionais não encontram maior receptividade, porque não há mais espaço para o ensino verbatim, a tradicional decoreba de conteúdos e, também, para conceitos descontextualizados da realidade dos sujeitos que compõem a escola.

A síntese das mudanças pode ser entendida como uma forma diferente de interação entre sujeito e objeto de conhecimento. Neste novo ambiente de múltiplas possibilidades de interação, o importante não é saber mais, e sim, estar pronto para aprender e buscar informações e principalmente aprender a estar continuamente aprendendo.

Como resultado da consulta ao Journal of Chemical Education - JCE, no período de 1977 a 1994, foram listados 488 programas, classificados de acordo com as doze categorias mostra das a seguir. Da mesma forma, foi feito levantamento de 1978 a 1994, na Química Nova, onde foram encontrados 51 programas para ensino de química.

Categorias
1. aquisição de dados /aná- lise de experimentos; 2. base de dados (BD) simples;
3. BD / Hipertexto e /ou Multimídia;
4. BD / Modelagem e/ou Simulaçãocom previsão;
5. cálculo computacional;
6. exercício e prática;
7. jogo educacional;
8. simulação;
9. tutorial;
10. sistema especialista;
11. produção de gráficos e caracteres especiais;
12. outros.

Estes programas estão relacionados, respectivamente, nos Anexos I e II . O Anexo III relaciona tipo e número do programa com grau de ensino e período de publicação no JCE; e o Anexo IV, além do número do programa, elenca os conteúdos químicos abordados.

Os vários programas podem ser usados de maneiras diferentes no processo de ensino-aprendizagem: do simples exercício e prática de problemas numéricos e tutoriais de conceitos que avançam sob o controle do aluno aos complexos sistemas especialistas baseados em inteligência artificial e softwares de realidade virtual que permitem uma nova relação do aluno com o conhecimento químico.

A pesquisa procurou relacionar o desenvolvimento do hardware com os tipos de software educacional, que foram sendo desenvolvidos para o ensino de química ao longo dos dezoito anos. Ficam evidentes as mudanças de tipo dos programas ao longo do tempo: de simples cálculo computacional e tutoriais, ou seja, programas poucos interativos às simulações e bases de dados / modelagem e / ou simulação com previsão, que permitem boa interação aluno-conhecimento.

Foi feito levantamento não apenas dos conteúdos mais freqüentes nos programas disponíveis como também dos tipos de programas mais freqüentes. Os conteúdos mais trabalhados foram: química quântica/teoria quântica; análises qualitativa, quantitativa, gravimétrica, volumétrica, titulométrica; espectrofotometria, espectroscopia: RNM, EPR; termodinâmica; estruturas. Isso totalizou cerca de 49,3 % dos programas e o tipo de maior freqüência foi o cálculo computacional, seguido muito de longe por simulação e tutoriais.

É óbvio que o computador não resolve os problemas da baixa qualidade do ensino, nem tão pouco substitui o professor, a não ser que este se resuma a um mero instrutor de comandos. Entretanto, pode, com certeza, ser usado para apresentar conteúdos considerados mais difíceis, de uma maneira dinâmica que motive alunos e professores, nas atividades normais de sala de aula e de laboratório. Também, não o consideramos um simples instrumento de ensino, até porque ele não tem essa finalidade, e sim, como um recurso pedagógico alternativo ao qual o professor pode lançar mão, para, aproveitando suas potencialidades, trabalhar no sentido de promover uma aprendizagem significativa.

Data: 1997.
E-mail: slontra@gmail.com
Local: UNICENTRO / Univ. Estadual do Centro-Oeste e UNICAMP / Univ. EStadual de Campinas.

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