O computador trouxe, sem dúvida alguma, um importante avanço tecnológico e a sua disseminação nas três últimas décadas marcou, de maneira irreversÃvel, a história da humanidade. Logo, a despeito de toda a resistência e dificuldade, não há como a educação e a escola se manterem alheias.
Mais recentemente, a Internet e outras redes de comunicação têm se constituÃdo importantes meios de divulgação acadêmica e cientÃfica, através dos quais alunos e professores podem se informar e se atualizar em relação à qualquer área da quÃmica. Pela rede é possÃvel, também, a troca de informações sobre projetos interdisciplinares, desenvolvido em conjunto com vários pesquisadores, alunos e professores de diferentes paÃses, como é o caso da Escola do Futuro em São Paulo. Os programas de simulação e de bases de dados permitem uma grande interatividade entre usuário-conhecimento, o que pode possibilitar ou facilitar uma aprendizagem significativa dos conteúdos quÃmicos. Da mesma forma, com os programas chamados sistemas especialistas e realidade virtual, pode ser possÃvel estabelecer uma nova forma de relacionamento aluno-conhecimento quÃmico, superior à atingÃvel através do meio impresso normal ou através da aula expositiva tradicional.
Neste novo ambiente, escola e professores parecem estar perplexos e ameaçados pelo desconhecido, enquanto que alunos se sentem bem mais à vontade. Esse "por vir" tem gerado ambientes de aprendizagem, nos quais professores e alunos, necessariamente, assumem papéis diferentes. As metodologias tradicionais não encontram maior receptividade, porque não há mais espaço para o ensino verbatim, a tradicional decoreba de conteúdos e, também, para conceitos descontextualizados da realidade dos sujeitos que compõem a escola.
A sÃntese das mudanças pode ser entendida como uma forma diferente de interação entre sujeito e objeto de conhecimento. Neste novo ambiente de múltiplas possibilidades de interação, o importante não é saber mais, e sim, estar pronto para aprender e buscar informações e principalmente aprender a estar continuamente aprendendo.
Como resultado da consulta ao Journal of Chemical Education - JCE, no perÃodo de 1977 a 1994, foram listados 488 programas, classificados de acordo com as doze categorias mostra das a seguir. Da mesma forma, foi feito levantamento de 1978 a 1994, na QuÃmica Nova, onde foram encontrados 51 programas para ensino de quÃmica.
Categorias
1. aquisição de dados /aná- lise de experimentos;
2. base de dados (BD) simples;
3. BD / Hipertexto e /ou MultimÃdia;
4. BD / Modelagem e/ou Simulaçãocom previsão;
5. cálculo computacional;
6. exercÃcio e prática;
7. jogo educacional;
8. simulação;
9. tutorial;
10. sistema especialista;
11. produção de gráficos e caracteres especiais;
12. outros.
Estes programas estão relacionados, respectivamente, nos Anexos I e II . O Anexo III relaciona tipo e número do programa com grau de ensino e perÃodo de publicação no JCE; e o Anexo IV, além do número do programa, elenca os conteúdos quÃmicos abordados.
Os vários programas podem ser usados de maneiras diferentes no processo de ensino-aprendizagem: do simples exercÃcio e prática de problemas numéricos e tutoriais de conceitos que avançam sob o controle do aluno aos complexos sistemas especialistas baseados em inteligência artificial e softwares de realidade virtual que permitem uma nova relação do aluno com o conhecimento quÃmico.
A pesquisa procurou relacionar o desenvolvimento do hardware com os tipos de software educacional, que foram sendo desenvolvidos para o ensino de quÃmica ao longo dos dezoito anos. Ficam evidentes as mudanças de tipo dos programas ao longo do tempo: de simples cálculo computacional e tutoriais, ou seja, programas poucos interativos à s simulações e bases de dados / modelagem e / ou simulação com previsão, que permitem boa interação aluno-conhecimento.
Foi feito levantamento não apenas dos conteúdos mais freqüentes nos programas disponÃveis como também dos tipos de programas mais freqüentes. Os conteúdos mais trabalhados foram: quÃmica quântica/teoria quântica; análises qualitativa, quantitativa, gravimétrica, volumétrica, titulométrica; espectrofotometria, espectroscopia: RNM, EPR; termodinâmica; estruturas. Isso totalizou cerca de 49,3 % dos programas e o tipo de maior freqüência foi o cálculo computacional, seguido muito de longe por simulação e tutoriais.
É óbvio que o computador não resolve os problemas da baixa qualidade do ensino, nem tão pouco substitui o professor, a não ser que este se resuma a um mero instrutor de comandos. Entretanto, pode, com certeza, ser usado para apresentar conteúdos considerados mais difÃceis, de uma maneira dinâmica que motive alunos e professores, nas atividades normais de sala de aula e de laboratório. Também, não o consideramos um simples instrumento de ensino, até porque ele não tem essa finalidade, e sim, como um recurso pedagógico alternativo ao qual o professor pode lançar mão, para, aproveitando suas potencialidades, trabalhar no sentido de promover uma aprendizagem significativa.
Data: 1997.
E-mail: slontra@gmail.com
Local: UNICENTRO / Univ. Estadual do Centro-Oeste e UNICAMP / Univ. EStadual de Campinas.