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Sérgio Simka
Imagem decorativaDominação simbólica no ensino de Língua Portuguesa: uma perspectiva
Este trabalho objetiva questionar a utilização de paradigmas teóricos alienígenas, e discutir, com base em um enfoque específico, o fracasso do ensino de língua portuguesa, ligando-o à dominação simbólica da classe dominante. Esta busca garantir, por uma rede de mecanismos instituídos na aula de português, o estado de uso precário da variedade-padrão por parte dos educandos, sobretudo por parte daqueles que passaram pelos bancos escolares.

Ao consubstanciar a condição de paradoxalidade, entendida como a negação ao acesso à variedade-padrão, instaura-se o ignorantismo lingüístico que, dentro de um feixe de representações e de práticas, produz as condições objetivas de manter o processo de dominação, por meio de mecanismos que condicionam a prática de língua ao simples reconhecimento da variedade-padrão, culminando na institucionalização do fracasso lingüístico.

Disso resulta a inculcação, nos educandos, da síndrome de inferioridade lingüística, essência da dominação simbólica da classe hegemônica, que atende a interesses de sua perpetuação político-ideológica.

Para romper a hegemonia da dominação simbólica, propõe-se a maximização da variedade-padrão em duas instâncias específicas, de modo que possa ocorrer uma apropriação efetiva da variedade-padrão por parte dos educandos.

Em se maximizando a variedade-padrão no cotidiano do falante de língua portuguesa, projeta-se a contradição de ela ser utilizada como instrumento de dominação e de opressão. Data: 1999.
Local: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUCSP.

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