Quando pensamos
na formação de um ser humano completo, deixamos de
acreditar nas disciplinas isoladas, facilitando a aceitação
e a adaptação do aluno especial na sala de aula.
A inclusão, apesar de todos os mitos, é um processo
simples que permite o crescimento holÃstico dos agentes envolvidos
no processo.
O projeto que vem sendo desenvolvido pela Escola de Educação
Infantil Lua Crescente, Salto, SP (onde sou a coordenadora do projeto)
revela algumas dicas importantes para os professores que desejam
ou necessitam desenvolver o mesmo trabalho.
Em primeiro plano, a Instituição que aceita o desafio
de incluir, deve contratuar com os pais do aluno especial, a necessidade
da criança receber atendimento dos especialistas de apoio.
Geralmente são fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais,
neuropediatras, entre outros. Tais suportes são extremamente
importantes para o desempenho do aluno em sala de aula.
O Processo na Escola: dicas aos professores
Adaptação
e Socialização: não gere expectativas,
nem a você mesmo, muito menos ao aluno. Deixe a criança
livre e natural, convide-a para participar das suas atividades.
Planeje atividades simples e rotineiras, dê preferencia para
atividades que fazem parte do domÃnio caseiro. Observe -
a .
É nesse momento que surge as dúvidas, os questionamentos
e a necessidade de traçar a metodologia. Anote todas as dúvidas
e observações, que serão as diretrizes das
pesquisas. Durante o perÃodo de adaptação inicia-se
também o perÃodo de pesquisa e capacitação
da equipe pedagógica.

Dica:
A nossa equipe manteve durante quase um ano reuniões periódicas
com todos os profissionais responsáveis pela estimulação
extra escolar. Fonoaudióloga, Terapeuta etc. Hoje os encontros
são mais esporádicos.
O processo de socialização geralmente é demorado,
porém o mais importante é tentar manter a criança
em grupo, apesar da sua tendência em isolar-se. Cabe ao professor
planejar atividades grupais, principalmente em ambientes livres,
como parque, pátio e arei. Nesse perÃodo introduza
nas aulas atividades onde o aluno especial possa expressar comportamentos
imitativos, contribuindo para auto-estima e colaborando para sua
socialização. Contar com o apoio dos demais alunos
da classe é fundamental - se for explicado de maneira clara
e objetiva, os alunos compreendem e solidarizam com o problema apresentado
e ainda se disponibilizam para contribuir com os objetivos do professor
- garantindo a união da classe.
Desempenho
Cognitivo : a assimilação e a acomodação
do conteúdo pedagógico é sempre muito lento.
Esse fator deve ser considerado pelo professor que deverá
respeitar e aceitar. O aluno especial irá conduzir o ritmo
e expressar qual a melhor maneira de aprender, por isso o professor
deve estar aberto e flexÃvel a novas formas de trabalho.
O aprendizado através da repetição pode ser
bem sucedido , mas não se deve determinar a melhor ferramenta.
Variar (a variação acontece muitas vezes de forma
individual, conforme cada etapa do conteúdo desenvolvido)
e explorar diferentes metodologias é o melhor caminho. O
aluno especial tem o direito de ser incluÃdo na mesma metodologia
adotada pela Escola.
Professor: o responsável pelo grupo que incluiu um aluno especial deveria ser capacitado para tal. Enquanto isso não ocorre por via da formação acadêmica/ universitária, resta somar as boas experiências e a prática profissional recheada de insistência e perseverança para encarar o grande desafio de oferecer as crianças portadoras de deficiências fÃsicas ou mentais a oportunidade de uma melhor adaptação na sociedade, qualificando assim, a vida de todos.
Nota: propositadamente não inclui o item avaliatório no processo escolar, por acreditar que a avaliação não se aplica, principalmente nesse projeto, formalmente. É preciso uma avaliação conjunta com todos os agentes envolvidos na história do aluno, desde os pais, demais profissionais e a Escola. Afinal estamos trabalhando com vidas e não com um simples conteúdo acadêmico.
Como diz o Professor Reuven Feurstein - psicólogo e um dos maiores contribuidor da psicopedagogia atual - "Não devemos permitir que uma só criança fique em sua situação atual sem desenvolvê-la até onde seu funcionamento nos permite descobrir que é capaz de chegar. Os cromossomos não têm a última palavra".
Sugestões de livros para leitura e pesquisa: SCHWARTZMAN , José Salomão e colaboradores - "SÃndrome de Down"- Editora Mackenzie , São Paulo, 1999.
WERNECK, Claudia - "Ninguém mais vai ser bonzinho, na sociedade inclusiva" - Editora WVA, Rio de Janeiro, 1997.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér e colaboradores - "A integração de pessoas com deficiência" - Editora Memnon Edições CientÃficas Ltda.,1997
O
projeto está sendo desenvolvido na Escola de Educação
Infantil Lua Crescente, na cidade de Salto, SP, coordenado por Mércia
Falcini, pedagoga e responsável por diversos trabalhos educacionais
desenvolvidos aos professores da cidade e região, e executado pela
professora Elisângela Luiz. O nosso aluno especial é Leandro Cardoso
Nicácio, nascido em 23.09.97, hoje com 2 anos de idade, portador
de sÃndrome de Down. Uma criança encantadora e que nos ensina que
há na vida muito mais do que simplesmente o intelecto.
Depoimento de Elisângela
Luiz, professora do Leandro
"A minha primeira experiência com criança especial está acontecendo
com o Leandro, e certamente vem sendo muito gratificante. Posso
conhecer seus sentimentos, suas capacidades e suas fraquezas. Quando
o Leandro começou a freqüentar a minha classe, pensei de maneira
simplista que seria o máximo ter uma criança especial envolvida
no grupo. Os dias foram passando e eu me dei conta de que eu não
sabia como trabalhar com ele e comecei a me preocupar. Partindo
das minhas preocupações e das reuniões com minha coordenadora, fui
entendendo que precisava me capacitar, mantendo a perseverança onde
repetia freqüentemente os objetivos desejados com ele. E assim com
toda motivação do mundo fui vencendo os desafios e conhecendo cada
vez mais sobre crianças portadoras da sÃndrome de Down.

Os resultados demoraram, muitas vezes despertando dúvidas sobre o que estava fazendo, mas quando o Leandro começou a expressar o seu aprendizado, pude sentir que não havia palavras para definir a satisfação e alegria que invadiram a todos os envolvidos no projeto, principalmente a mim. Por isso afirmo que a inclusão é o passo mais correto na vida das pessoas portadoras de qualquer deficiência. A interação com outras pessoas pode despertar aprendizados eternos para a conquista de um espaço digno e promissor, garantido esperança de futuro na sociedade."