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Mércia Falcini
Imagem decorativaInclusão: Um sonho real

Quando pensamos na formação de um ser humano completo, deixamos de acreditar nas disciplinas isoladas, facilitando a aceitação e a adaptação do aluno especial na sala de aula.

A inclusão, apesar de todos os mitos, é um processo simples que permite o crescimento holístico dos agentes envolvidos no processo.

O projeto que vem sendo desenvolvido pela Escola de Educação Infantil Lua Crescente, Salto, SP (onde sou a coordenadora do projeto) revela algumas dicas importantes para os professores que desejam ou necessitam desenvolver o mesmo trabalho.

Em primeiro plano, a Instituição que aceita o desafio de incluir, deve contratuar com os pais do aluno especial, a necessidade da criança receber atendimento dos especialistas de apoio. Geralmente são fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, neuropediatras, entre outros. Tais suportes são extremamente importantes para o desempenho do aluno em sala de aula.

O Processo na Escola: dicas aos professores

Adaptação e Socialização: não gere expectativas, nem a você mesmo, muito menos ao aluno. Deixe a criança livre e natural, convide-a para participar das suas atividades. Planeje atividades simples e rotineiras, dê preferencia para atividades que fazem parte do domínio caseiro. Observe - a .
É nesse momento que surge as dúvidas, os questionamentos e a necessidade de traçar a metodologia. Anote todas as dúvidas e observações, que serão as diretrizes das pesquisas. Durante o período de adaptação inicia-se também o período de pesquisa e capacitação da equipe pedagógica.

Dica: A nossa equipe manteve durante quase um ano reuniões periódicas com todos os profissionais responsáveis pela estimulação extra escolar. Fonoaudióloga, Terapeuta etc. Hoje os encontros são mais esporádicos.

O processo de socialização geralmente é demorado, porém o mais importante é tentar manter a criança em grupo, apesar da sua tendência em isolar-se. Cabe ao professor planejar atividades grupais, principalmente em ambientes livres, como parque, pátio e arei. Nesse período introduza nas aulas atividades onde o aluno especial possa expressar comportamentos imitativos, contribuindo para auto-estima e colaborando para sua socialização. Contar com o apoio dos demais alunos da classe é fundamental - se for explicado de maneira clara e objetiva, os alunos compreendem e solidarizam com o problema apresentado e ainda se disponibilizam para contribuir com os objetivos do professor - garantindo a união da classe.

Desempenho Cognitivo : a assimilação e a acomodação do conteúdo pedagógico é sempre muito lento. Esse fator deve ser considerado pelo professor que deverá respeitar e aceitar. O aluno especial irá conduzir o ritmo e expressar qual a melhor maneira de aprender, por isso o professor deve estar aberto e flexível a novas formas de trabalho. O aprendizado através da repetição pode ser bem sucedido , mas não se deve determinar a melhor ferramenta. Variar (a variação acontece muitas vezes de forma individual, conforme cada etapa do conteúdo desenvolvido) e explorar diferentes metodologias é o melhor caminho. O aluno especial tem o direito de ser incluído na mesma metodologia adotada pela Escola.

Professor: o responsável pelo grupo que incluiu um aluno especial deveria ser capacitado para tal. Enquanto isso não ocorre por via da formação acadêmica/ universitária, resta somar as boas experiências e a prática profissional recheada de insistência e perseverança para encarar o grande desafio de oferecer as crianças portadoras de deficiências físicas ou mentais a oportunidade de uma melhor adaptação na sociedade, qualificando assim, a vida de todos.

Nota: propositadamente não inclui o item avaliatório no processo escolar, por acreditar que a avaliação não se aplica, principalmente nesse projeto, formalmente. É preciso uma avaliação conjunta com todos os agentes envolvidos na história do aluno, desde os pais, demais profissionais e a Escola. Afinal estamos trabalhando com vidas e não com um simples conteúdo acadêmico.

Como diz o Professor Reuven Feurstein - psicólogo e um dos maiores contribuidor da psicopedagogia atual - "Não devemos permitir que uma só criança fique em sua situação atual sem desenvolvê-la até onde seu funcionamento nos permite descobrir que é capaz de chegar. Os cromossomos não têm a última palavra".

Sugestões de livros para leitura e pesquisa: SCHWARTZMAN , José Salomão e colaboradores - "Síndrome de Down"- Editora Mackenzie , São Paulo, 1999.

WERNECK, Claudia - "Ninguém mais vai ser bonzinho, na sociedade inclusiva" - Editora WVA, Rio de Janeiro, 1997.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér e colaboradores - "A integração de pessoas com deficiência" - Editora Memnon Edições Científicas Ltda.,1997

O projeto está sendo desenvolvido na Escola de Educação Infantil Lua Crescente, na cidade de Salto, SP, coordenado por Mércia Falcini, pedagoga e responsável por diversos trabalhos educacionais desenvolvidos aos professores da cidade e região, e executado pela professora Elisângela Luiz. O nosso aluno especial é Leandro Cardoso Nicácio, nascido em 23.09.97, hoje com 2 anos de idade, portador de síndrome de Down. Uma criança encantadora e que nos ensina que há na vida muito mais do que simplesmente o intelecto.

Depoimento de Elisângela Luiz, professora do Leandro

"A minha primeira experiência com criança especial está acontecendo com o Leandro, e certamente vem sendo muito gratificante. Posso conhecer seus sentimentos, suas capacidades e suas fraquezas. Quando o Leandro começou a freqüentar a minha classe, pensei de maneira simplista que seria o máximo ter uma criança especial envolvida no grupo. Os dias foram passando e eu me dei conta de que eu não sabia como trabalhar com ele e comecei a me preocupar. Partindo das minhas preocupações e das reuniões com minha coordenadora, fui entendendo que precisava me capacitar, mantendo a perseverança onde repetia freqüentemente os objetivos desejados com ele. E assim com toda motivação do mundo fui vencendo os desafios e conhecendo cada vez mais sobre crianças portadoras da síndrome de Down.

Os resultados demoraram, muitas vezes despertando dúvidas sobre o que estava fazendo, mas quando o Leandro começou a expressar o seu aprendizado, pude sentir que não havia palavras para definir a satisfação e alegria que invadiram a todos os envolvidos no projeto, principalmente a mim. Por isso afirmo que a inclusão é o passo mais correto na vida das pessoas portadoras de qualquer deficiência. A interação com outras pessoas pode despertar aprendizados eternos para a conquista de um espaço digno e promissor, garantido esperança de futuro na sociedade."

Uma empresa de PRISA