A água é importante fator econômico e sua falta pode criar conflitos políticos entre os países
A necessidade crescente de água desafia o ser humano e as nações a negociar para encontrar soluções compartilhadas e evitar conflitos. E isso ocorre porque a água não se distribui uniformemente, mas o aumento de plantações, de indústrias e da quantidade de cidades faz com que seja necessário ter água em todos os lugares.
No Brasil, por exemplo, o maior manancial está na Amazônia; no entanto, já há falta ou a necessidade de controlar o consumo de água nas grandes cidades do Sudeste, Sul e litoral.
Veja abaixo, como é distribuída a água na superfície brasileira:
A disponibilidade ou a falta de água já é um fator socioeconômico importante, a começar pela água salgada. Os países que não têm litoral encontram enormes dificuldades para comprar ou vender produtos a outros países.
O sistema mais usado e barato de transporte mundial é por navios. A falta de acesso próprio ao mar atrasa o desenvolvimento de diversos países e os torna ainda mais pobres. Como eles produzem principalmente alimentos e minérios, transportá-los por avião fica tão caro que afasta os compradores em potencial.
Na América do Sul, o país mais pobre do continente é a Bolívia, o único que não tem litoral próprio. Na Ásia, é a República Popular do Laos, um país em que o governo está desenvolvendo um intenso programa para conseguir, até 2025, sair do grupo dos países não-desenvolvidos e tornar-se pelo menos subdesenvolvido.
Os países sem acesso ao mar são chamados de insulares e seus problemas e a forma de ajudá-los são discutidos numa das instâncias da Organização das Nações Unidas, a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad). A última reunião plena da Conferência, a 11a, foi realizada em São Paulo em 2004.
Todavia, é a disputa por água doce que ameaça gerar conflitos entre as nações neste século.
Cerca de 260 bacias hidrográficas (formadas por dois ou mais rios) atravessam as fronteiras de 145 países do mundo. Isso quer dizer que uma mesma reserva de água é disputada por dois ou mais países. Treze bacias dividem-se entre cinco ou mais países. Por exemplo: na Europa, 17 países compartilham a água do rio Danúbio; na Ásia, quatro compartilham a do rio Mekong.
Nessas situações, o país que possui nascentes ou está mais próximo delas (diz-se que está a montante) pode retirar mais água ao longo do tempo e construir represas; em conseqüência, a quantidade que chega aos demais países (que estão a jusante) é bem menor. O conflito mais antigo desse tipo ocorre entre Israel, Síria e Jordânia e acontece desde a década de 1950.
Bibliografia
Atualidades do Vestibular do Almanaque Abril 2004. São Paulo: Editora Abril, 2004. 242 p.
CLARKE, Robin e KING, Jannet. O Atlas da Água. São Paulo: Publifolha, 2005. 128 p.
Fontes
Agência Brasil – Especiais – Unctad XI:
http://www.radiobras.gov.br
Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad): http://www.unctad.org