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Projeto de ensino de geografia
 - Demétrio Magnoli e Regina Araújo
Imagem decorativa Para realizar essas atividades utilize a Unidade IV do volume Projeto de Ensino de Geografia - Geografia do Brasil.
1) Releia o item O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (págs. 261-263) do Capítulo 17 de seu livro e o site do Ibama (www.ibama.gov.br), do qual foi extraído o mapa abaixo, para responder às questões abaixo:

a) De acordo com a lei, a criação das Reservas Extrativistas destina-se não apenas a conservação da natureza, mas também dos "meios de vida e cultura" das populações tradicionais. Discuta essa idéia.
b) Procure explicar a lógica da distribuição espacial das reservas extrativistas (já criadas ou em estudo) pelo território brasileiro.

Mapa 1


2)
O item Produzindo na Floresta do Capítulo 18 de seu livro discute especificamente a questão das Reservas Extrativistas da Amazônia. Os textos selecionados abaixo também abordam este tema. Leia-os atentamente para responder às questões abaixo:

Falar que o destino da Amazônia é a regressão ao extrativismo, mesmo a um extrativismo idílico, socializado e místico, é mais uma vez atropelar a própria Amazônia. De qualquer modo, vamos supor que fosse possível fazer da Amazônia uma imensa reserva extrativista, um enorme playground para todos os diversos pirados da Terra. Bem, este o sonho nada pirado da poderosa indústria farmacêutica internacional, dos grupos econômicos que trabalham com a biotecnologia, com a engenharia genética e a etnobiologia. Assim, mais uma vez deseja-se que a Amazônia ofereça o que tem, mas que fique em seu lugar, como território primitivo, de gente primitiva, que não deve jamais ter acesso a essas tecnologias e ao controle econômico de seus produtos. O certo é que, se o extrativismo na Amazônia não está morto, deve ser definitivamente erradicado por qualquer plano que respeite o processo histórico e a vontade regional. Mesmo porque a Amazônia não deve ser reserva de nada, nem celeiro, nem estoque genético ou espaço rústico para deleite dos turistas pós-indusriais.

Fonte: SOUZA, Márcio. "Amazônia e Modernidade".
Revista Estudos Avançados
, 16 (45), 2002, p.35

Enquanto o conceito de desenvolvimento sustentável coloca em questão as modalidades do desenvolvimento econômico, certo discurso ecologista apresenta as reservas extrativistas como a melhor forma econômica e social de valorização sustentável da Amazônia, e os seringueiros como os guardiões do patrimônio natural comum, que é a floresta. Garantir o controle do acesso aos recursos naturais por seus usuários, assegurando assim os direitos dos trabalhadores da floresta, parece ser a solução mais realista e mais econômica. Um novo mapa da região (IBGE, 1993) mostra a Amazônia como um conjunto de parques e florestas nacionais, reservas biológicas, estações e reservas ecológicas, reservas extrativistas, aos quais seria conveniente acrescentar as reservas indígenas [...] O extrativismo perde, assim, seu caráter de atividade arcaica para ressurgir como uma atividade que garante a conservação da biodiversidade e que forma uma base para o desenvolvimento da biotecnologia. A Amazônia torna-se, novamente, um reservatório quase infinito de bancos de dados genéticos...

Fonte: AUBERTIN, Caterine. "A ocupação da Amazônia: das drogas do
sertão à biodiversidade". In A floresta em jogo: o extrativismo na
Amazônia Central
. São Paulo: Unesp/Imprensa Oficial, 2000.

a) Os textos acima apresentam posições radicalmente diferentes acerca do significado contemporâneo do extrativismo da Amazônia. Identifique e explique estas diferenças.
b) Faça uma pesquisa sobre o tema na internet, procurando conhecer o funcionamento e a viabilidade econômica das reservas extrativistas já implementadas. Depois, organize com seus colegas um debate sobre o tema, considerando os diferentes argumentos levantados pelos autores do texto.


3)
A soja é um dos mais recentes vetores de ocupação da Amazônia. Grandes fazendas mecanizadas estão sendo implantadas nas fronteiras amazônicas, tornando ainda mais urgente a discussão sobre os projetos viárias da região. Releia o item Planejamento e Desenvolvimento Sustentável (págs. 275-278) do Capítulo 18 e considere os argumentos contidos no texto abaixo para responder às questões propostas:

As novas fronteiras da Amazônia são dominadas pela corrida para controlar os recursos naturais, seja pela aquisição do direito de exploração desses recursos, seja pela posse da terra. A pavimentação da BR 163 não será diferente. É sabido, que a pavimentação acelera o desmatamento do corredor. Isso ocorre porque não há planejamento nem forma de controle para a região. As atividades tradicionais, a pecuária, a agricultura e a exploração madeireira, se praticadas da forma tradicional, deixarão um marco de pobreza para a região. Considerando o uso tradicional desses recursos, os benefícios econômicos do capital natural são acumulados por um pequeno grupo de pessoas e o resultado, a longo prazo é, possivelmente, o estabelecimento de pastagens de baixa produtividade, como as vastas áreas de capoeiras cobrindo morros pedregosos, que dominam este eixo no estado do Pará. As florestas exploradas para a madeira podem pegar fogo, e a população pode adoecer devido à poluição promovida pelos incêndios. E os rios vão estar secos e poluídos, pois as áreas de proteção permanente não serão respeitadas. Isso será mais grave e mais rápido em áreas onde existe uma indefinição da estrutura fundiária, que facilita a grilagem, a venda ilícita de terras, e acirra os conflitos no campo, sendo hoje apontadas como algumas das mais violentas do Pará. Nesse contexto, a soja terá um papel critico adicional, que não faz parte das experiências passadas e não está previsto nos modelos. A abertura da BR 163 beneficiara imensamente a indústria da soja, reduzindo seus custos de transporte e facilitando a exportação do produto através do porto de Santarém. A expansão da soja com certeza trará um incentivo extra para o desmatamento. Se a ocupação prosseguir sem controle, o cenário pode incluir atividades de baixa produtividade, como forma rápida de ocupação de terra devoluta.

Fonte: Ane Alencar e Oriana Almeida. Agência Estado, 15 de outubro de 2003.

a) As autoras consideram que a pavimentação da BR 163 pode provocar desastres ambientais e sociais. Discuta essa idéia.
b) Explicite as relações entre o projeto de pavimentação da BR 163 e a indústria da soja.


4) No item O Nordeste em Movimento (págs. 287-290) do Capítulo 19, discutimos o contexto no qual a Sudene foi transformada em Adene. Em julho de 2003, porém, a Sudene foi recriada por um decreto assinado pelo Presidente Luis Inácio Lula da Silva. Em entrevista dada ao Jornal da USP (4 de agosto de 2003) o geógrafo Ariovaldo Umbelino de Oliveira analisou o significado desse decreto:

Ao recriar a Sudene (Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste), ao mesmo tempo em que sinaliza para a reativação da extinta Sudam (Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia), o governo Lula quer deixar claro o caráter intervencionista do Estado sob seu comando, delineando assim uma estratégia diferente da administração FHC, de orientação neoliberal. Além disso, a presença do idealizador da Sudene, Celso Furtado, na cerimônia de reinauguração, no dia 28 de julho, é um forte símbolo da intenção de o governo retomar o papel original do órgão fundado em 1959 por Juscelino Kubitschek, depois de uma seca que aumentou a tensão social nos sertões nordestinos [...] A política neoliberal da administração FHC caminhou na direção do Estado mínimo. Ele extinguiu Sudene, Sudam e outros órgãos e criou as agências reguladoras, coisa que os Estados Unidos conheceram há mais de 30 anos. No governo Lula, ao contrário, o Estado é agente mobilizador de recursos e de uma política de desenvolvimento.

a) Ariovaldo Umbelino enxerga na recriação da Sudene os sinais de uma mudança profunda na condução da política regional. Explique os seus argumentos.
b) De acordo com o geógrafo, a nova Sudene deverá retomar as funções originais do órgão, criado em 1959. Discuta essa idéia, considerando as transformações ocorridas na economia brasileira nos últimos decênios.


5)
O projeto de transposição do Rio São Francisco, analisado no item As águas do São Francisco (pág. 290) do Capítulo 19, figura entre as obras de infra-estrutura consideradas prioritárias pelo atual governo federal. Faça uma pesquisa na internet sobre o assunto e escreva um texto identificando as principais polêmicas que envolvem este projeto.


6)
No ano de 2003, a negociação da Alca ingressou na sua etapa decisiva de apresentação e discussão das ofertas comerciais de cada Estado participante. Estados Unidos e Brasil são os co-presidentes dessa etapa final de negociação hemisférica. Releia o item A América do Sul e a Alca (págs. 296-301) do Capítulo 20 e faça uma pesquisa sobre o andamento recente das negociações, destacando a posição da política externa brasileira sobre o tema. Discuta os resultados de sua pesquisa em sala da aula.

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