1) A adoção
de políticas afirmativas no sentido de amenizar a exclusão social e econômica
das populações negras no Brasil vêm sendo objeto de muita polêmica nos meios
de comunicação. Releia o item Escravidão e Exclusão (págs.177-178) do
Capítulo 11 e confira os trechos de duas matérias, publicadas no Jornal
da UnB e na Folha de S.Paulo, que abordam esse tema. Em seguida realize
as atividades propostas:
No Brasil, cerca de 45% da população e 16% dos estudantes de curso superior
são negros. A discrepância detectada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas
Aplicadas (Ipea) não é só numérica, mas visível para quem vai a qualquer campus
universitário. Hoje, dos 26 mil alunos de graduação e pós-graduação da Universidade
de Brasília (UnB), apenas 2% são negros. O dado é um retrato da desigualdade
do país. A UnB foi a primeira universidade federal do país a aprovar o sistema
de cotas para negros. A política foi votada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa
e Extensão (Cepe), no dia 6 de junho de 2003, com 24 votos a favor, um contrário
e uma abstenção. "A universidade mostrou sua inconformidade com a exclusão social
resultante do racismo", disse o vice-reitor Timothy Mulholland, durante a cerimônia
do conselho, com a voz embargada.
Luciana Seabra Marina Mello e Bruno Arruda. Jornal da UnB, agosto de 2003.
A suposição de que as cotas reduzem a exclusão costuma ser esgrimida para legitimar
a violação da igualdade de direitos individuais. Mas essa suposição não se sustenta.
As cotas inoculam um "fator racial" na carreira dos profissionais, estigmatizando
todos os negros e mulatos com a suspeita de favorecimento acadêmico e, portanto,
prejudicando-os no mercado de trabalho. No fundo, as cotas reintroduzem, pela
porta dos fundos, a crença racista segundo a qual existe alguma relação entre
a capacidade intelectual e a cor da pele. Martin Luther King sonhava com o dia
em que as pessoas seriam julgadas pela força do seu caráter, não pela cor da
sua pele. O sistema de cotas frustra esse sonho, pois divide e avalia os cidadãos
em função da cor da pele.
Demétrio Magnoli. Folha de S.Paulo, 29/07/2003.
a) Faça
um pesquisa virtual sobre o tema e procure informações acerca de políticas afirmativas
direcionadas aos negros adotadas por outras universidades e pelo governo federal.
Além de sites de jornais e revistas, também o site da Fundação
Palmares pode contribuir para a sua pesquisa.
b) Com o auxílio do professor, organize com seus colegas um debate sobre
a eficácia destas políticas na promoção da justiça social no Brasil.
2) Os dados do Censo 2000 indicam uma elevação da contribuição da fecundidade das mulheres mais jovens na fecundidade total, principalmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste (veja o gráfico abaixo). Com base na leitura do item Mudanças no padrão de natalidade (págs.191-192) e em seus conhecimentos sobre o tema, procure explicar as causas e as conseqüências deste fenômeno.

3) Com base no item A estrutura etária da população (pág.192)
do Capítulo 12, identifique e explique as diferenças entre os gráficos
abaixo:


Fonte: Fundo das Nações Unidas para a População.
4) A situação de pobreza e exclusão social que caracteriza o Brasil foi abordada no Capítulo 15, Distribuição de Renda: riqueza e pobreza. De acordo com o governo federal, a fome é uma das conseqüências mais dramáticas dessa situação. O texto abaixo foi escrito por ocasião do programa Fome Zero. Leia-o atentamente para responder à questão proposta:
A fome, atualmente, é uma tragédia circunscrita a um reduzido grupo de países paupérrimos, ocorrendo em épocas de secas ou enchentes que se associam ao colapso do poder central. Nas últimas décadas, catástrofes de fome abateram-se na Etiópia, Somália, Sudão, Moçambique, Ruanda, Coréia do Norte e, na maior parte dos casos, resultaram de guerras civis. No Brasil não existe fome. Aqui, como reflexo das desigualdades sociais e regionais extremas, existe subalimentação e má nutrição. Essa é uma tragédia vergonhosa, que pesa sobre a população mais pobre e ainda mantém inaceitavelmente elevadas as taxas de mortalidade infantil. Mas, no plano político e social, é preciso distinguir essa tragédia da fome, pois as respostas para uma são diversas das respostas para a outra. Os cupons e cestas [distribuídos pelo Programa Fome Zero] certamente ajudarão os mais pobres, que poderão escolher entre consumir ou vender os alimentos. Mas não irão acabar com o que não existe (a fome) e pouca influência podem exercer sobre o que existe (a subalimentação ou má alimentação), que decorre da carência de renda. O combate à subalimentação e à má alimentação exige mudanças sociais estruturais, ligadas à educação, ao emprego e à estrutura fundiária. <
Demétrio Magnoli. Folha de S.Paulo, 11/04/2002.
a) Demétrio Magnoli considera que o Programa Fome Zero é resultado de um diagnóstico equivocado da realidade social brasileira. Quais são os seus principais argumentos?
5) Bernardo Kucinski respondeu ao texto de Demétrio Magnoli, citado na
questão anterior, com as seguintes considerações:
Magnoli recorreu aos grandes surtos epidêmicos de fome ocorridos na Europa,
e que hoje ocorrem em alguns países da África. A língua inglesa tem uma expressão
própria para esses surtos epidêmicos, 'famine'. Essa é a fome epidêmica, que
afeta de uma vez só grandes populações. Assim foi a 'famine' que eclodiu na
Irlanda no século XIX, quando se deu uma praga nas batatas, levando milhões
de irlandeses à morte por desnutrição e outros milhões à emigração para os Estados
Unidos. Por isso, na língua inglesa usa-se 'famine' para essa fome de caráter
social, e 'hunger' para a fome comum. O sofisma de Magnoli consistiu em considerar
os surtos epidêmicos de fome como única modalidade de fome social. Mas e a fome
crônica, permanente, espalhada e não concentrada, um pouco em cada povoado do
Nordeste, um pouco em cada favela da periferia, um pouco em cada cortiço de
São Paulo? Essa fome não é social? O que falta no Brasil não é a fome social,
mas uma palavra nossa para designá-la. Bernardo Kucinski.
Fonte: Agência Carta Maior, 18/11/2002.
a) Explique
o conceito de fome social, apresentado por Bernardo Kucinski.
b) Kucinski discorda da posição defendida por Magnoli. Explique o(s)
argumento(s) por ele apresentado(s) para sustentar tal discordância.