Oficina
Não é somente um lugar para aprender fazendo; supõe, principalmente, o pensar, o sentir, o intercâmbio de idéias, a problematização, a descoberta e a cooperação. (...) ... a primazia é sempre da ação, mas não se desmerece a teoria. Vieira e Volquind, 2002, p.12
“Compondo e cantando com as frutas”
Eixo Temático: Invenções e estripulias
Faixa Etária: 5 anos de idade
Objetivos: Proporcionar as crianças, desde a perspectiva lúdica, a vivência de situações-problema envolvendo noções elementares de grandeza, intensidade, velocidade, direção, situação, orientação e relação nas áreas da matemática, linguagem e ciências.
Elemento desencadeador: frutas
Materiais:
- Frutas naturais inteiras (laranjas, maçã, banana, limão, mamão, morango, ameixaetc.)
- Papel sulfite A3 ou cartolina ou similares (em tamanho), hidrocor, giz de cera ou tinta guache com pincel.
-
Sucata: latas, tampinhas de metal, garrafas plásticas etc (para construir instrumentos musicais caso já não os tenham)
- Baú de roupas e acessórios para teatro
- Máquina fotográfica e filmadora
Vivência
Aproveitando um momento em que o lanche tenha sido regado a frutas ou outra situação cujo foco tenham sido as frutas, sugerir as crianças a montagem de um espetáculo musical para homenageá-las produzindo e apresentando músicas de autoria das próprias crianças. Promover o brincar com palavras relativas as frutas(formas, tamanhos, volumes, cores, cheiros e benefícios à saúde) dinamizando acomposição de letras, a experimentação de melodias (podendo usar melodias conhecidas do universo infantil), a confecção de instrumentos para tocá-las e a produção de um roteiro para a apresentação do musical.
Duração: aproximadamente 60 min.
Situação problema: produzir um ou mais textos musicais comparando, rimando, ritmando e formando versos num exercício de memória auditivo-musicale de enriquecimento do repertório lingüístico.
Fundamentação
Durante a evolução da aprendizagem, a criança reelabora a seu modo o que lhe é transmitido e extrai de suas experiências aquilo que seu nível de entendimento possibilita. Mas a evolução das suas conquistas é de fato, um ato de criação. Seber, 1995, p. 31
Vivência
Quando a criança reencontra ou conserva o dinamismo de sua pessoa, de seu ser, quando assume realmente a autonomia de seu desejo, torna-se surpreendentemente disponível. Ela integra rapidamente uma grande quantidade de conhecimentos sob condição de que se forneça alimentos ao seu desejo de conhecer e de fazer, sob condição, sobretudo, de que não a encerremos na estreita obrigação de um saber relacionado, atomizado, uniformizado e cronologicamente programado. Lapierre & Aucouturier, 1986, p.85.
Observação
Importante no sentido de possibilitar o reconhecimento de sentimentos, de facilitar a expressão, ajudando a colocar o sentimento em palavras, a garantir o conhecimento das vivências infantis, a visualizar situações para compreender e torná-las tangíveis na busca de ações. Badia Martin, 2005.
| Atenção Quanto menor for a criança maior será o espaço que ela irá ocupar para se deslocar, brincar, desenhar, pintar, rabiscar etc, assim como a dimensão dos materiais e objetos que lhe serão oferecidos. Materiais e objetos também devem estar na altura dos olhos da criança e de fácil acesso. Coelho, 2005 |
Outros encaminhamentos
Após a vivência com a produção e apresentação do espetáculo das frutas sugerir às crianças:
- Confeccionar coletivamente um ou mais livros contando sobre a aventura de ser compositor(a), comentando os passos da criação, apresentando as personagens (as frutas) desta produção artística, registrando as letras, referindo melodias conhecidas e adaptadas, relatando a experiência com os instrumentos e avaliando oespetáculo musical.
- No dia seguinte, durante a rodinha, explorar junto às crianças questões pertinentes à Oficina alavancando conteúdos e temas diretamente relacionados a vivências desencadeadas antes, durante e depois. Mas, atenção, recomenda-se que a exploração se faça somente quando o assunto for trazido à tona pelas próprias crianças.
- Promover, com a participação direta e efetiva das crianças, uma exposição pública com todos os registros gráficos, plásticos, foto e filmográficos das atividades.
- Confeccionar um portfólio*. Ver orientações em SHORES, E., GRACE, C. Manual de Portfólio: um guia passo a passo para o professor. Porto Alegre: Artmed, 2001.
- Sempre contar com a palavra e as percepções das crianças buscando o estabelecimento e a manutenção conjunta de combinações em torno das situações de aprendizagem.
- Em momento oportuno(*), conversar com as crianças sobre os contrastes que incidem sobre os objetos e no contato com os mesmos, bem como sobre suas percepções, formulações e conclusões acerca das substâncias que compõem seus corpos e os corpos dos objetos. (*) aproveitar ao máximo as oportunidades naturais que propiciam a exploração de idéias, regularidades e conceitos evitando, portanto, a sua artificialização.
- Para ler mais sobre contrastes indicamos, em especial, a leitura da seguinte trilogia:
LAPIERRE, A. & AUCOUTURIER, B. Os contrastes e a descoberta das noções fundamentais. São Paulo: Manole, 1985.
- LAPIERRE, A. & AUCOUTURIER, B. Associações de contrastes: estruturas e ritmos. São Paulo: Manole, 1985.
-
LAPIERRE, A. & AUCOUTURIER, B. As nuanças: do vivenciado ao abstrato através da educação psicomotora. São Paulo: Manole, 1985.
Oficina elaborada por VERBO Projetos Educacionais
Responsáveis Técnicos
- Prof. Vanderlei Brusch de Fraga Dr. em Filosofia e Ciências da Educação, Pedagogo e Orientador - Educacional
-
Profª Maximila Tavares de Quadros Coelho MSc em Educação, Doutoranda em Filosofia e Ciências da Educação e Psicomotricista